5 de outubro de 2012

O Casamento da Igreja com seus Filhos e com seu Deus: Jonathan Edwards

Nunca mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais Desolada; mas chamar-tão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o SENHOR se delicia em ti; e a tua terra se desposará. Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus. Isaías 62.4, 5


Sermão 2: O Casamento da Igreja com seus Filhos e com seu Deus

1. Devemos considerar o quanto Cristo fez para obter essa alegria na qual Ele se alegra com a Igreja, como o noivo se alegra com a noiva.

A criação do mundo é especialmente para este propósito, a fim de que o eterno Filho de Deus tenha uma esposa com quem exerça a benevolência infinita da sua natureza e em quem Ele abra e derrame, por assim dizer, a imensa fonte da condescendência, amor e graça que estava no seu coração, desse modo glorificando a Deus. Não há que duvidar que a obra da criação é subordinada à obra da redenção. A criação dos novos céus e nova terra é representada tanto quanto mais excelente que a antiga, que, em comparação, não é digna de ser mencionada ou de entrar em questão.

Cristo fez coisas maiores do que criar o mundo a fim de comprar sua noiva e a alegria das suas bodas com elas, pois Ele se tornou homem para esse fim, que foi uma coisa maior do que o mundo criado por Ele. Para o Criador, fazer a criatura era coisa grande, mas Ele se tornar criatura, era coisa maior. Ele fez coisa ainda maior para comprar esta alegria, pela qual Ele deu a vida e sofreu a morte de cruz, derramando a alma até a morte. Aquele que é o Senhor do universo, Deus acima de todos, eternamente bendito, ofereceu-se em sacrifício, em corpo e alma, nas chamas da ira divina. Cristo comprou sua esposa eleita por conquista, pois ela estava cativa nas mãos de inimigos terríveis. Seu Redentor entrou no mundo para conquistar estes inimigos e salvá-la das mãos deles a fim de que ela fosse sua noiva. Lutou sozinho com os poderes das trevas e com todos os exércitos do inferno. Ele estava em conflito com a ira infinitamente mais terrível de Deus e venceu nesta grande batalha. Assim, Ele comprou sua esposa. Consideremos por quão grande preço Cristo comprou esta esposa. Ele não a redimiu com coisas corruptíveis, como prata e ouro, mas com seu próprio sangue precioso. Ele se deu a ela. Quando Ele se ofereceu a Deus nesse labor e sofrimentos extremos, este era o gozo que estava diante dEle, o qual o fez suportar a cruz com alegria e menosprezar a dor e a vergonha em comparação a esta alegria. Foi essa alegria com a Igreja, como a alegria do noivo com a noiva que o Pai tinha lhe prometido, que Ele esperava quando Ele a apresentasse a si, mesmo em beleza e bem-aventurança perfeitas.

A perspectiva dessa cena foi o que o sustentou no meio do panorama obscuro dos sofrimentos com os quais sua alma estava perturbada: "Agora, a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isso vim a esta hora" (Jo 12.27). Estas palavras mostram o conflito e a angústia da alma santa de Cristo na visão dos sofrimentos que se aproximavam. Mas no meio da dificuldade, Ele foi consolado com a perspectiva alegre do sucesso desses sofrimentos, em levar para casa sua Igreja eleita e para si, representado por uma voz do céu e prometido pelo Pai, sobre o que Ele diz em linguagem de triunfo: "Agora, é o juízo deste mundo; agora, será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim" (Jo 12.31, 32).

Os ministros do evangelho são designados a ser instrumentos para fazer isso acontecer. Instrumentos para levar para casa a esposa eleita a fim de tornar-se sua noiva. Instrumentos para ela ser santificada e purificada pela Palavra, a fim de que ela seja preparada para ser apresentada a Ele no glorioso e futuro dia de casamento. Que grande motivo temos para induzir a nós que somos chamados a ser estes instrumentos, a ser fiéis em nosso trabalho e de boa vontade labutar e sofrer para que Cristo veja o trabalho da sua alma e fique satisfeito! Cristo fará tais grandes coisas e passará por tão grande labor e sofrimento a fim de obter esta alegria e depois nos honrará, vermes pecadores, com o emprego de seus ministros e instrumentos para fazer com que esta alegria ocorra, e nós ficaremos relutantes em labutar e recuaremos para nos negar a este fim?


Referência

EDWARDS, J. Pecadores nas Mãos de um Deus Irado e outros Sermões de Jonathan Edwards: Sermão 2: O Casamento da Igreja com seus Filhos e com seu Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2005-2007. p. 105-107.

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Alex Salustino

Alex Salustino
Cristão resgatado pelo precioso sangue de Cristo! Bibliotecário, blogueiro, músico, fotografo amador, graduando em marketing, proprietário da Alex Artes Gráficas. Sou o responsável por administrar o Pregando o Evangelho. Deus te abençoe!